Percepção Subjetiva do Esforço: validade e reprodutibilidade

Percepção Subjetiva do Esforço: validade e reprodutibilidade

Percepção Subjetiva do Esforço: validade e reprodutibilidade

A Percepção Subjetiva do Esforço é utilizada para controlar e prescrever exercícios há muitos anos, e de lá pra cá vem se popularizando, inclusive ajudando historicamente no desenvolvimento da fisiologia do exercício! Também conhecida como escala de Borg, neste artigo, nos aprofundaremos nos estudos sobre a usabilidade desta escala e sua confiabilidade.

Escrito por Antonio Carlos Filho – Graduando em Educação Física (Licenciatura) pela Universidade Federal do Maranhão, São Luís, Maranhão, Brasil.

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Como já visto no post anterior, a escala de Percepção Subjetiva de Esforço utiliza da percepção do indivíduo durante o exercício, determinando as intensidades através de números. A Percepção Subjetiva de Esforço foi muito pesquisada, tanto em homens quanto em  mulheres, treinados e não-treinados,  induzindo o campo do treinamento e da fisiologia do exercício a grandes saltos.

Vários fatores podem influenciar na Percepção Subjetiva do Esforço, como a música, consciência da carga, fatores visuais e etc., mas os principais são o tipo de exercício e a duração, gerando respostas e percepções diferentes durante a sua realização. Alguns parâmetros que se acreditava interferirem diretamente na escala como a aptidão física, sexo ou intervalo de descanso, não demonstraram poder de alterar a percepção da escala.

PSE no Treinamento Resistido

A escala de Borg é muito utilizada no treinamento aeróbio, principalmente em testes de capacidade cardiorrespiratória, mas em relação ao treinamento resistido existem poucos estudos que demonstram sua utilização. Três estudos (PINCIVERO et al., 2003; KRISTEN et al., 2004; FOCHT, 2007) demonstraram uma alta relação entre a carga de treinamento e a escala de Borg, indicando que a escala pode ser utilizada como forma de controlar a intensidade e a carga também no exercício resistido.          Também foi encontrado que a escala de Borg de quinze pontos tem relação direta com o limiar de lactato, que geralmente girava entre s valores 13 e 14, denominado “um pouco pesado”.

PSE no Treinamento Aeróbio

Vários estudos demonstram a aplicabilidade da PSE no exercício aeróbio, encontrando relação direta com a frequência cardíaca, consumo de oxigênio (VO2) e ponto máximo de oxidação de gordura. A escala de Borg demonstrou uma zona alvo de esforço, o que é um ótimo indicador para encerramento do exercício em pacientes cardiopatas.

Em relação a populações especiais como portadores de esclerose múltipla, artrite reumatoide, doenças pulmonares, transtornos de ansiedade e depressão, diabetes, paralisia cerebral e doenças cardiovasculares, a utilização da Percepção Subjetiva do Esforço é confiável para o acompanhamento e prescrição de exercícios, pois se necessita mais do que apenas os marcadores fisiológicos, a percepção do indivíduo é muito importante, inclusive, o American College of Sports Medicine (ACSM) tem a escala de Borg em suas diretrizes para prescrição de exercícios para cardiopatas como ferramenta imprescindível para o acompanhamento do paciente.

Em conclusão, a grande vantagem da Percepção Subjetiva do Esforço é sua praticidade e usabilidade, sendo validade e eficiente no que se propõe.

O próximo artigo abordará as formas de aplicação da Percepção Subjetiva de Esforço em várias situações, como em testes e exercícios.

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