Percepção Subjetiva do Esforço: A Origem

Resumo

Este é o primeiro de três artigos sobre a Escala de Percepção Subjetiva do Esforço (PSE).  Desde o seu desenvolvimento, na década de 60, a PSE têm sido utilizada por pesquisadores, clínicos e por praticantes de exercício físico como uma ferramenta simples e barata para monitorar e ajustar a intensidade do exercício físico. O primeiro artigo está relacionado aos aspectos históricos do desenvolvimento das escalas de PSE. O segundo artigo enfatizará os principais fatores que influenciam a percepção do esforço e as pesquisas que examinaram sua validade e reprodutibilidade. O terceiro e último artigo, aborda os princípios, recomendações e estratégias para utilizar a PSE durante testes e prescrição do exercício.

Clique em leia mais para ler o artigo na íntegra – Origem

A Origem

O ser humano ocupa um espaço da sua própria realidade, organizado dentro de um padrão muito influenciado por suas percepções interiores, expectativas, esperanças, medo e pensamentos. Nesse sentido, muitos estudos têm sido realizados no intuito de compreender como as pessoas se sentem e como a percepção desse “sentir-se” afeta seu cotidiano. Este conceito deixa claro que devemos estudar o desempenho físico (fisiologia do exercício) e o desempenho subjetivo do exercício físico. Uma vez que, para cada performance executada ocorre a integração de várias sensações e sentimentos psicológicos oriundos dos músculos, tendões, articulações, do sistema nervoso central e cardiorrespiratório.

Na década de 70 houve um grande popularização do exercício, em especial, o exercício aeróbio, o que estimulou o desenvolvimento de novos métodos para avaliar, prescrever e compreender o tipo de stress que o exercício físico proporcionava. Na área da psicofísica, um dos pioneiros foi Gunnar Borg, que estudou as relações entre percepção objetiva e subjetiva de estímulos através dos sentidos e estabeleceu medidas essas relações. Para isso, foram desenvolvidas escalas de Percepção Subjetiva do Esforço (PSE) que permitiu aos indivíduos quantificarem sua percepção durante o exercício.

A primeira escla de PSE foi desenvolvida para medir as sensações do exercício. Este tipo de escala, assume que durante o exercício as sensações podem ser ordenadas em categorias do leve ao esforço pesado. Além disso, foi adicionado números para facilitar o entendimento das categorias (Escala de BORG de 21 pontos). Esta escala assume que cada indivíduo é capaz de avaliar sua percepção de esforço relativo ao máximo esforço, uma vez que foi observado que com o aumento da intensidade do exercício houve aumento da percepção sem relação linear.

Para minimizar os erros de linearidade (correlação) foi desenvolvida a nova escala de PSE – Borg de 15 pontos. Os 15 pontos são distribuídos de 6 até 20 sendo cada um correlacionado com a variação da frequência cardíaca (FC=PSE x 10). Por exemplo, se a PSE for 14 a frequência cardíaca será próxima de 140 bpm. Claro que está relação e fórmula não são exatas! Ainda discutiremos as vantagens e limitações das escalas de PSE-BORG.

Além disso, foram desenvolvidas mais duas escalas PSE, a escala de 9 pontos e Category-ratio scale (CR10). Estas escalas de PSE estão fundamentadas no conceito de que poucas categorias para a percepção aumentam a sua acurácia. Foram desenvolvidas para medir a percepção do esforço durante o exercício de endurance, uma vez que, variáveis como Frequência Cardíaca, Pressão Arterial Sistólica e Razão de Troca Respiratória aumentam linearmente com a intensidade do exercício.

As principais variáveis fisiológicas utilizadas nas pesquisas científicas para validar e correlacionar as escalas de PSE-BORG são:

– Frequência Cardíaca

– Concentração de lactato sanguíneo

– Percentual do Consumo máximo de Oxigênio (%VO2max)

– Consumo de Oxigênio (VO2)

– Ventilação

– Frequência Respiratória

No próximo artigo iremos discutir a validade, reprodutibilidade das escalas PSE-BORG e os fatores que influenciam a percepção durante o exercício.

Referências

Brandão et al. Percepção do esforço: Uma revisão da área. Revista Brasileira de Ciência e Movimento. Vol. 3 (1), 1989.

Borg G. Psychophysical Studies of Effort and Exertion: Some Historical, Theoretical and Empirical Aspects. In: Borg G, Ottoson D, eds. The Perception of Exertion in Physical Work. London: Macmillan; 1986.

Borg G. Psychophysical scaling with applications in physical work and the perception of exertion. Scandinavian journal of Work and Environmental Health. 1990;1 6suppl 1:55-58.

Borg GA. Perceived exertion: a note on “history” and methods. Med Sci Sports. 1973;5:90-93.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s