Lesão Muscular: Otimizando a recuperação

Introdução

As lesões musculares são as mais comuns que ocorrem nas diferentes modalidades esportivas, estudos retrospectivos demonstram uma incidência de até 55% do total da ocorrência de lesões. Os fatores causais destas lesões são os mais diversos possíveis, sendo dependente da modalidade esportiva praticada. Por outro lado, o processo de “cura” que é o restabelecimento da capacidade funcional do músculo lesado é bem definido em três fases sequenciais. A inicial, denominada fase de destruição que é caracterizada pela necrose do tecido lesado, formação de hematoma e reação inflamatória. Em seguida, é estabelecida a fase de reparo, onde ocorre a fagocitose do tecido necrótico, regeneração das miofibrilas concomitante com a produção de tecido conectivo cicatricial e a revascularização com o crescimento de novos capilares na área lesada. Em por último é instalada a fase de remodelamento que é o período no qual ocorre a maturação das miofibrilas regeneradas, reorganização do tecido cicatricial e restabelecimento da capacidade funcional do músculo.

A classificação clínica das lesões musculares dependerá de sua natureza e da severidade, sendo considerada suave (1º grau) quando somente poucas fibras musculares com pequeno inchaço e desconforto acompanhado ou não de mínima perda de força e restrição de movimento. Moderado (2º grau) envolve um maior dano com clara perda de função. Severa (3º grau) aqui a lesão de estende por toda a secção transversa do músculo, resultando em completa perda de função.

Tratamento

Existem poucos estudos clínicos sobre o tratamento de lesões musculares, portanto, os princípios dos tratamentos atuais são baseados sobre estudos experimentais ou evidencias empíricas.

Imobilização. A imobilização inicial foi primeiramente recomendada no tratamento de lesões agudas por Woodard à meio século atrás. A ciência atual confirmar tais observações de que um curto período de imobilização seja benéfico, porem deve ser realizado somente nos primeiros dias (até uma semana) após a lesão. Isto permite que o tecido cicatricial conecte adequadamente as fibras remanescentes de maneira a suportar a posterior contração muscular sem reincidência de ruptura. Após este período de imobilização é necessário a mobilização gradual da musculatura lesionada respeitando o limite de dor.

O tratamento imediato também deve seguir o princípio do RICE (Rest, Ice, Compression and Elevation) e a justificativa esta em se minimizar a hemorragia no ponto da lesão. Devo ressaltar que não há nenhum ensaio clínico controlado e randomizado da efetividade deste método. No entanto, existem inúmeras evidências da efetividade dos componentes isolados. O repouso imediatamente após o trauma, além do que foi descrito acima, também pode reduzir o tamanho do hematoma e do tecido cicatrial, e evitar falhas por má formação cicatricial (lacuna dentro do músculo). O uso imediato do gelo esta associado com menor hematoma, inflamação, necrose tecidual e uma diminuição do tempo de recuperação. A compressão reduz o fluxo sanguíneo, embora seja discutível se um menor fluxo sanguíneo acelere o processo de cura. Por outro lado, a compressão combinada ao gelo tem obtido melhores resultados do que o gelo sozinho. Por fim, a elevação tem como base os princípios da fisiologia, que quando uma extremidade é elevada acima do nível do coração resulta em diminuição da pressão hidrostática, consequentemente, reduzindo o acúmulo de fluido intersticial, o que é desejado em caso de lesão.

Tratamentos alternativos supervisionados

Atualmente há uma ampla gama de possíveis tratamentos com a finalidade de acelerar a recuperação, no entanto, o que há em comum entre eles é a pouca quantidade de estudos controlados que fundamente seu uso. Dentre os medicamentos usados com tal finalidade estão os NSAIDs (non-steroidal anti-inflammatoty drugs) e os glicocorticóides. Enquanto as evidências apóiam o uso dos NSAIDs, pelo menos na fase inicial de recuperação, o mesmo não acontece com os glicocorticóides. Estudos experimentais demonstram prejuízos na recuperação do tecido lesado, devido o uso dos glicocorticóides, tanto por atrasar a eliminação do hematoma e do tecido necrótico, quanto por uma redução nos níveis de força.

Outra modalidade amplamente recomendada e utilizada no tratamento de lesões musculares é o ultrassom terapêutico. O fato que as micromassagem produzidas pelas ondas de alta frequência aparentemente promovem um alivio da dor, também tem sido proposto que ele aumente a regeneração nos estágios iniciais. No entanto, tais estudos falharam em mostram qualquer efeito positivo sobre os resultados finais da regeneração muscular.

Fonte: T. A. H. Jarvinen et al. Muscle injuries: optimising recovery. Best Practice & Research Clinical Rheumatology. Vol. 21, No. 2, pp. 317–331, 2007.

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